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Paulo Nogueira Batista avalia potencial do Brasil para se tornar superpotência

Economista destaca avanços do governo Lula, mas alerta para limites estruturais que travam crescimento do Brasil.
Paulo Nogueira Batista avalia potencial do Brasil para se tornar superpotência
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O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva tem apresentado sinais de crescimento econômico, queda na taxa de desemprego e valorização do salário mínimo, conforme avaliação feita pelo economista Paulo Nogueira Batista. Em 2026, o Brasil registra um déficit primário equivalente a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto os gastos líquidos com juros somam 8% do PIB, refletindo desequilíbrios fiscais ainda presentes.

O novo arcabouço fiscal brasileiro é caracterizado por uma maior flexibilidade em comparação ao antigo teto de gastos do governo Michel Temer, porém mantém limitações expressivas sobre despesas sociais e investimentos públicos. Paulo Nogueira Batista critica a política monetária atual, em especial as taxas de juros estabelecidas pelo Banco Central do Brasil (BCB), que, para ele, não estão alinhadas com uma agenda de desenvolvimento econômico sustentável.

Além disso, o economista aponta que a estrutura do Banco Central ainda favorece uma relação próxima com o mercado financeiro, garantindo um ambiente que restringe investimentos e onera o crédito para setores produtivos. Ele destaca a ausência de quarentena para diretores que saem da autoridade monetária para o setor privado, principalmente bancos e consultorias, o que suscita questionamentos sobre conflito de interesses.

Paulo Nogueira Batista também observa a carência de avanços sólidos na reindustrialização brasileira, fenômeno atribuído à elevação da taxa de juros e à abertura comercial praticada pelo país. No âmbito comercial, o acordo firmado entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia foi classificado pelo economista como desfavorável tanto para a indústria nacional quanto para o setor agroexportador, comprometendo a competitividade local.

No plano internacional, o Brasil não aproveitou a presidência dos BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em 2025 para promover avanços significativos nas áreas monetária e financeira, conforme destaca Paulo Nogueira Batista. Ainda assim, ele reconhece que o país possui um elevado potencial geopolítico, baseado em sua extensão territorial, população e dimensão econômica.

O cenário global também se apresenta desafiador com a crise no Oriente Médio, que ocasionou bloqueios parciais no Estreito de Ormuz, afetando o fluxo internacional de petróleo e gás. Nesse contexto, o Brasil, como exportador líquido de petróleo, pode obter benefícios com a alta dos preços no mercado internacional, o que impacta positivamente sua balança comercial e receitas externas.

Além disso, o governo Lula vem promovendo mudanças tributárias focadas em aumentar a arrecadação advinda dos segmentos de maior renda. Contudo, o economista chama a atenção para a coexistência de políticas econômicas contraditórias, combinando medidas de incentivo com restrições herdadas da gestão anterior, que dificultam uma retomada mais robusta do crescimento.

De acordo com Paulo Nogueira Batista, as metas fiscais estabelecidas são demasiadamente ambiciosas, gerando pressões recessivas sobre a economia. Dentro desse quadro, ele destaca a contradição entre o discurso oficial de reindustrialização e a atuação de setores econômicos que resistem a essa agenda, o que dificulta a implementação de políticas produtivas coordenadas.

Por fim, o economista defende uma revisão do arcabouço fiscal vigente, estimulando uma política pública mais agressiva de investimentos e mudanças no núcleo decisório da política econômica para o possível quarto mandato de Lula. Ele ainda ressalta que, embora Pequim siga seus próprios interesses, não tem impulsionado diretamente a reorganização produtiva brasileira, o que reforça a necessidade de estratégias internas mais assertivas.

A conclusão do processo econômico ainda depende de ajustes nas políticas fiscais e monetárias brasileiras, que deverão ser analisados pelas autoridades nos próximos meses para definir o rumo do desenvolvimento sustentável do país.

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