Desde dezembro de 2025, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) adquiriu cerca de 200 bilhões de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos (T-bills). Essa ação fez com que as reservas bancárias subissem 180 bilhões de dólares, ultrapassando a marca de 3 trilhões de dólares, um patamar considerado relevante para a estabilidade do mercado monetário.
O volume total dos títulos mantidos pelo Fed, incluindo os T-bills, chegou a 6,3 trilhões de dólares, com um aumento recente de 155 bilhões. Por outro lado, a taxa efetiva dos fundos federais permaneceu em 3,64%, ligeiramente abaixo da taxa sobre reservas, que é de 3,65%. Historicamente, essa taxa efetiva costuma ficar cerca de 8 pontos-base acima do piso da taxa dos fundos federais, mas em setembro e outubro de 2025 essa diferença ampliou para 14 pontos-base.
O aumento da taxa efetiva dos fundos esteve associado à diminuição das reservas bancárias para abaixo de 3 trilhões de dólares, o que provocou maior pressão no mercado de recompra (repo). Em paralelo, a taxa SOFR (Secured Overnight Financing Rate), que serve para operações colateralizadas no mercado de recompra, tende a ficar abaixo da taxa efetiva dos fundos, refletindo o custo do crédito garantido.
Além disso, o Federal Home Loan Banks tem papel relevante no mercado de fundos federais, pois participa das operações que afetam a taxa efetiva, especialmente por não conseguir postergar reservas, embora opere na taxa dos fundos federais. Essa dinâmica, por sua vez, contribui para a formação das taxas de juros overnight no sistema bancário.
Portanto, a política do Federal Reserve de compra contínua de títulos do Tesouro buscou aliviar o aperto detectado no mercado de recompra em 2025. Ao mesmo tempo, o banco central mantém operações reversas de recompra para retirar parte da liquidez ofertada, equilibrando o sistema financeiro.
A conclusão do processo ainda depende da análise dos efeitos dessas medidas na liquidez do mercado monetário, que é monitorada pela autoridade enquanto mantém os instrumentos de compra e venda de títulos alinhados com a meta da política monetária. O próximo passo será observar se essa estabilização persistirá com níveis crescentes de reservas e taxas próximas entre os fundos federais e a SOFR.
Contexto Econômico e Expectativas de Mercado
A escalada da guerra no Irã elevou as expectativas de inflação de curto prazo nos Estados Unidos, posicionando a taxa break-even de dois anos em torno de 3,1%. Esse movimento pressiona o cenário econômico, já que a inflação pode se aproximar de 4%, o que dificulta a implementação de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed).
Atualmente, projeta-se que a taxa dos fundos federais permaneça estável nos próximos meses. No entanto, se o conflito no Irã for resolvido rapidamente, existe a possibilidade de redução dos juros. A movimentação dos navios no Estreito de Hormuz é vista como fator determinante para a avaliação dessa situação e para definir os próximos passos do Fed.
O mercado monetário estadunidense apresenta uma dimensão significativa, com o volume dos fundos desse segmento representando aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Esse valor está próximo do recorde histórico de 27%, registrado em 2009, mostrando a relevância desses fundos para a liquidez do sistema financeiro.
Apesar da estabilidade ou leve retração nos certificados de depósito e depósitos comuns, os fundos de capital prime continuam em expansão. Esse crescimento reflete o aumento das exposições a papéis comerciais e títulos de depósito, o que indica mudanças nas preferências dos investidores no mercado de curto prazo.
O aumento dos depósitos bancários concentra-se principalmente nas grandes instituições, enquanto as menores mantêm seu volume relativamente estável. Paralelamente, as taxas dos papéis comerciais overnight superam a taxa de recompra reversa (reverse repo rate) do Fed, revelando o aperto no mercado de operações de recompra e os valores relativos dos títulos do Tesouro americano (T-bills).
Para ajustar esse cenário, o Federal Reserve anunciou que, a partir de 1º de abril de 2026, vai rever os requisitos da razão de alavancagem para os bancos. A mudança permitirá ampliar a capacidade dessas instituições na compra de títulos e nas operações de recompra, sobretudo para as maiores instituições financeiras.
De modo geral, o mercado caminha para um possível ambiente de reservas mais escassas, em contraste com o atual excesso de liquidez. Essa transição terá impacto direto no gerenciamento das reservas e influenciará a definição da taxa dos fundos federais.

