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Federal Reserve mantém juros com mercado descartando cortes em 2026

Mercado descarta cortes nos juros em 2026 diante da alta do petróleo e tensão no Oriente Médio.
Federal Reserve mantém juros com mercado descartando cortes em 2026
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O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa de juros na reunião realizada em 17 e 18 de março de 2026, com uma forte sinalização de que não haverá cortes ao longo deste ano. De acordo com os futuros das taxas, a chance de manutenção na próxima reunião, marcada para 29 de abril, chega a 99,5%, enquanto a probabilidade de cortes foi praticamente descartada pelo mercado.

Em apenas um mês, houve uma mudança significativa nas expectativas do mercado. Em 4 de março, as probabilidades indicavam uma chance de 88,2% para a manutenção e 12% para um corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, no encontro do meio de março, 10 dos 11 membros votaram pela manutenção da taxa, enquanto um único voto foi favorável a um corte imediato. Assim, o cenário evoluiu para uma visão mais conservadora quanto à flexibilização monetária.

A projeção para a reunião de 17 de junho também demonstra mudança nesse panorama. A chance de manter a taxa está em 96,7%, ante 66,8% no início de março. Ainda assim, o mercado financeiro continua aberto para análises, dado que os indicadores econômicos ainda indicam risco de inflação acentuada.

Os contratos futuros indicam que a probabilidade de que não haja cortes nas taxas de juros em 2026 é de 36% na plataforma Polymarket e 38,5% na Kalshi, com um volume financeiro de negociação acumulado em US$ 2,9 milhões. Isso reforça o entendimento de que o Fed está adotando uma postura cautelosa e aguarda dados mais consistentes antes de qualquer mudança na política monetária.

A revisão do Resumo Econômico de 18 de março apontou um aumento na projeção da inflação medida pelo índice PCE (Personal Consumption Expenditures) para 2,7% em 2026, contra 2,4% estimados em dezembro do ano anterior. Essa avaliação incluiu também a inflação núcleo PCE, que desconsidera preços voláteis como alimentação e energia, e foi ajustada para o mesmo percentual. Consequentemente, medidas de flexibilização podem ser adiadas.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, enfatizou a necessidade de observar estatísticas mais claras antes de implementar qualquer alteração na política monetária. Segundo Powell, a instituição seguirá avaliando os dados econômicos para garantir que a inflação se mantenha sob controle, evitando decisões precipitadas que possam gerar instabilidade.

Embora o banco de investimentos Citi mantenha a previsão de cortes totais de 75 pontos base para 2026, a instituição revisou seu cronograma e passou a projetar que esses cortes ocorrerão apenas após fevereiro, o que está alinhado com a postura atual do Fed. Isso indica, portanto, que grandes mudanças na taxa básica de juros ainda não são esperadas no curto prazo.

Além dos fatores domésticos, o cenário internacional exerce impacto significativo nas decisões do Fed. O preço do petróleo WTI ultrapassou US$ 110 por barril em meio à crise no Oriente Médio, algo não visto desde 2022. O Brent teve fechamento acima de US$ 107, pressionado pelas tensões envolvendo o Irã e o conflito com Israel, que afetaram o comércio global de energia.

Na cidade de Houston, o prêmio físico do petróleo subiu para US$ 5,50 acima dos contratos futuros, refletindo uma maior preocupação com o fornecimento imediato dessa commodity. A situação se agravou com a quase paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz desde fevereiro de 2026, rota vital que responde por 20% do comércio mundial de petróleo.

Em resposta, a Agência Internacional de Energia coordenou a liberação emergencial de estoques por mais de 30 países para mitigar os efeitos dos choques na oferta. Essa medida buscou conter a alta dos preços no mercado, mas o preço médio da gasolina nos Estados Unidos já se aproxima de US$ 4 por galão, um aumento de cerca de US$ 1 desde o início do conflito no Oriente Médio.

Segundo dados recentes, a taxa média dos financiamentos imobiliários para contratos de 30 anos nos EUA está em 6,38%. A alta dos custos de energia e as pressões inflacionárias derivadas do cenário geopolítico reforçam a decisão do Federal Reserve em manter a taxa de juros elevada. Dessa forma, o banco central evita cortes que poderiam alimentar uma reativação da inflação.

O mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, encerra-se em 15 de maio de 2026. Entretanto, Donald Trump indicou Kevin Warsh como seu candidato para assumir a presidência da instituição. Powell deverá permanecer como governador até 31 de janeiro de 2028, embora com influência e voto reduzidos dentro do comitê de política monetária.

A conclusão desse processo de transição ainda depende da aprovação do Senado dos Estados Unidos e de possíveis análises regulatórias. Enquanto isso, a política monetária continua sendo guiada pela necessidade de equilibrar o controle da inflação frente aos desafios econômicos e geopolíticos atuais.

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