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Conflito no Irã pressiona taxas de financiamento para aeronaves

Conflito no Irã eleva preços do petróleo e mantém pressão sobre a inflação e taxas de juros nos EUA.
Conflito no Irã pressiona taxas de financiamento para aeronaves
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O início do conflito no Irã elevou o preço do petróleo a patamares não registrados em anos, fazendo com que o custo da gasolina subisse em média um dólar por galão nos Estados Unidos. Isso interfere diretamente em vários setores da economia, especialmente no transporte e na agricultura, cuja cadeia produtiva depende do óleo combustível.

Em 2025, a inflação medida pelo índice de despesas pessoais de consumo (PCE, personal consumption expenditures) estava em 2,8%, enquanto a inflação básica alcançava 3%. No entanto, após o aumento dos preços do petróleo e dos fertilizantes, as expectativas de inflação no curto prazo começaram a se elevar, conforme relatado por Michael Barr, integrante do Federal Reserve (Fed).

No relatório de empregos divulgado em março de 2026, os Estados Unidos criaram 178 mil novas vagas, e a taxa de desemprego caiu para 4,3%. Apesar do fortalecimento do mercado de trabalho, o rendimento do título do Tesouro americano com vencimento em 10 anos subiu para 4,35% logo após a publicação dos dados, refletem a preocupação dos investidores com a inflação persistente.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, Federal Open Market Committee) promoveu cortes acumulados de 175 pontos-base na taxa básica de juros durante os últimos 18 meses. Mesmo assim, o Fed enfrenta um dilema entre manter o controle da inflação, que permanece acima da meta de 2%, e evitar uma desaceleração acentuada no mercado de trabalho. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, alertou sobre esses riscos simultâneos ocasionados pelo choque de oferta gerado pelo conflito no Oriente Médio.

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã interrompeu a passagem de aproximadamente um terço do fornecimento global de fertilizantes, o que pressionou os preços dos insumos agrícolas no mundo todo. Nos primeiros dias da crise, dois fertilizantes nitrogenados usados amplamente na agricultura tiveram elevação de preços entre 20% e 50%, impactando fortemente estados produtores, como o Texas, cuja economia depende em cerca de 15% dos setores de energia, transporte e processamento.

O aumento dos custos em combustíveis e fertilizantes afetou o poder de compra das famílias americanas, especialmente as com menor renda, segundo o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson. Além disso, o orçamento proposto pelo governo Trump para o ano fiscal de 2027 solicitou aproximadamente 1,5 trilhão de dólares para a defesa, um acréscimo de cerca de 40%, mas cortou 73 bilhões de dólares em programas domésticos, refletindo a reorientação de prioridades nacionais diante das tensões atuais.

Os impactos também chegaram ao setor da aviação civil. A General Aviation Manufacturers Association (GAMA) divulgou que, em 2025, foram embarcadas 4.308 unidades civis, gerando uma receita total de 35,7 bilhões de dólares. Empresas tradicionais do setor, como a Textron Aviation, venderam 639 unidades das linhas Cessna e Beechcraft, faturando cerca de 3,8 bilhões de dólares. Por sua vez, a Gulfstream entregou 158 jatos que somaram mais de 10 bilhões de dólares em receitas.

De modo geral, a indústria aeronáutica global também foi impactada pelas oscilações nos custos de energia e matérias-primas. A Embraer, por exemplo, entregou 155 aeronaves em 2025, gerando uma receita de 2,5 bilhões de dólares, enquanto a Bombardier reportou quase 8 bilhões de dólares em entregas de jatos no mesmo ano. Essas cifras indicam a resiliência do setor, mesmo diante das pressões inflacionárias e das incertezas geopolíticas.

Além dos efeitos econômicos, as tensões ampliaram a instabilidade nos mercados financeiros. Após declarações do presidente Trump sobre possíveis ações militares adicionais contra o Irã, os índices acionários asiáticos registraram retração, o que demonstra a sensibilidade dos investidores a notícias relacionadas à região. Enquanto isso, nos Estados Unidos, as autoridades monetárias seguem avaliando o equilíbrio entre inflação, crescimento econômico e estabilidade do emprego.

A conclusão do processo ainda depende do monitoramento contínuo do Federal Reserve, que deve analisar os impactos da instabilidade geopolítica e a resposta da política monetária nas próximas semanas. A expectativa é que essas avaliações orientem futuras decisões sobre os juros, enquanto o país enfrenta riscos simultâneos de aumento dos preços e desaceleração econômica.

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