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Conflito global limita redução da taxa Selic em reunião desta quarta

Conflito no Oriente Médio eleva preços do petróleo e restringe cortes nos juros pelo Banco Central.
Conflito global limita redução da taxa Selic em reunião desta quarta
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira, 18 de março de 2024, para definir o novo patamar da taxa Selic. Atualmente, o juro básico da economia está em 15% ao ano, o maior nível registrado nos últimos 20 anos, mantido desde a reunião de janeiro.

Apesar da alta histórica, o mercado financeiro projeta que o Copom poderá promover um corte moderado de 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,75% ao ano. Essa expectativa é compartilhada por 66% dos investidores consultados, enquanto 20% acreditam que a taxa será mantida, e 14% indicam possibilidade de redução mais expressiva, de 0,5 ponto percentual.

Em sua análise, o banco de investimento Goldman Sachs destaca a possibilidade de um ajuste cauteloso, sinalizando que o corte deve ser pequeno para evitar impactos indesejados na inflação. Além disso, o último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, reajustou para cima a previsão da taxa Selic ao final de 2024, elevando a expectativa de 12,13% para 12,25% ao ano.

O cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos tem influenciado o comportamento da política monetária, dificultando uma redução mais ágil dos juros no Brasil. Por isso, a decisão do Copom ganha relevância, pois será analisada diante das pressões externas e das condições internas do país.

Assim sendo, o resultado da reunião desta quarta poderá indicar a direção que o Banco Central seguirá no controle da inflação, levando em conta os desafios econômicos atuais. A definição será acompanhada de perto por agentes de mercado e investidores que monitoram a evolução da economia brasileira.

Impactos do contexto internacional e da inflação sobre a política monetária

O conflito no Oriente Médio provocou uma elevação significativa no preço do petróleo e do dólar, pressionando a economia brasileira. A disputa ocorre próxima ao Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte global de petróleo, o que intensificou o risco de interrupção no fornecimento. Como consequência, o preço do barril chegou a se aproximar dos US$ 100, em função de ataques a navios na região.

Essa escalada nos valores do petróleo impacta diretamente os custos dos combustíveis, transporte e produção industrial no Brasil. Além disso, há efeitos indiretos sobre o preço dos fertilizantes e outros insumos utilizados na agricultura e setores industriais, aumentando ainda mais as pressões inflacionárias no país. Dessa forma, o cenário global dificulta a redução dos custos de produção e afeta a cadeia de preços ao consumidor.

No âmbito doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,70% em fevereiro de 2024, acima da mediana esperada de 0,63%. Essa inflação superior ao previsto eleva a cautela do Banco Central brasileiro em relação ao corte da taxa Selic, já que a alta persistente dos preços compromete o controle da política monetária.

Além da inflação, a conjuntura internacional, marcada pela incerteza gerada pelo conflito, limita o espaço para cortes mais expressivos na taxa básica de juros. O banco Goldman Sachs, por exemplo, indica que há baixa probabilidade de que a Selic não seja reduzida em março, mas a expectativa maior é por ajustes mínimos. Assim, as condições externas e a inflação mantêm a política monetária sob pressão para estabilidade.

Consequentemente, o cenário global e os dados internos sobre a inflação indicam que a redução da taxa Selic será mais contida nesta rodada de decisões. A conclusão do processo ainda depende da análise do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve avaliar esses fatores em sua reunião desta quarta-feira. Além dessa análise, outras variáveis econômicas poderão ser consideradas para a definição do rumo da política monetária nos próximos meses.

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