Em março de 2024, o balanço do Federal Reserve (Fed) chegou a equivaler a 84% do PIB nominal dos Estados Unidos, um aumento significativo em relação aos 24% registrados antes da crise financeira. Essa expansão expressiva ganhou atenção de economistas e autoridades, que agora discutem estratégias para reduzir esse montante sem provocar impactos severos nos mercados.
Stephen Miran, governador do Federal Reserve, indicou que a instituição pode diminuir seu balanço em torno de US$ 1 a 2 trilhões de maneira gradual. Durante um discurso no Economics Club of Miami, ele apresentou seis etapas detalhadas para alcançar essa redução, alinhadas ao artigo que coautorou, intitulado A User’s Guide to Reducing the Federal Reserve’s Balance Sheet, publicado simultaneamente ao pronunciamento.
Além das propostas de Miran, Darrell Duffie, professor da Universidade de Stanford, sugeriu quatro medidas distintas para diminuir o balanço do Fed em um artigo divulgado pela Brookings Institution. Por sua vez, Kevin Warsh, indicado à presidência do Federal Reserve, manifestou apoio a um processo de retirada gradual dos ativos, a fim de evitar volatilidade nos mercados financeiros.
No entanto, o tema da redução do balanço do Fed também enfrenta obstáculos políticos. Investigações criminais relacionadas a um projeto de renovação da instituição revelaram um estouro orçamentário superior a US$ 1,2 bilhão, embora sem indícios de fraudes. O senador Thom Tillis declarou que a continuidade das indicações presidenciais para cargos no Fed está condicionada à resolução desses inquéritos.
De modo geral, os conceitos abordados por Miran recapitularam ideias apresentadas anteriormente em novembro, durante evento do Bank Policy Institute (BPI). O relatório do BPI também endossa a importância de um processo gradual na devolução dos ativos acumulados no balanço do Fed, reforçando a cautela necessária para que a normalização financeira ocorra de forma sustentável.
Outros temas financeiros e jurídicos relevantes
O Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira (FSOC, na sigla em inglês) apresentou uma proposta para atualizar as diretrizes que regulam a designação de instituições financeiras não bancárias consideradas sistemicamente importantes. A medida busca aprimorar a supervisão desses agentes, com base na Lei Dodd-Frank, que foi criada após a crise financeira de 2008 para monitorar riscos que possam afetar o sistema financeiro dos Estados Unidos.
Enquanto isso, os senadores Thom Tillis e Angela Alsobrooks alcançaram um acordo preliminar com a Casa Branca para uma legislação que regula stablecoins que geram rendimentos. No entanto, a Coinbase manifestou oposição ao texto ainda não divulgado dessa proposta, indicando divergências significativas dentro do setor de criptomoedas sobre os novos parâmetros regulatórios.
Na área judicial, o tribunal do Novo México condenou a Meta a pagar US$ 375 milhões devido à falta de medidas satisfatórias para proteger crianças em suas plataformas. Essa decisão vem na esteira de outro veredicto envolvendo a mesma empresa e o Google em Los Angeles, onde ambos foram responsabilizados por impactos negativos na saúde mental ligados ao uso prolongado das redes sociais.
Além disso, o Comitê Econômico Conjunto do Congresso americano realizou uma audiência para discutir o aumento das fraudes globais, tema que envolve investigações coordenadas por órgãos como o FBI, o Departamento de Justiça e a Federal Trade Commission (FTC). A discussão refletiu a preocupação crescente com crimes financeiros internacionais que afetam tanto consumidores quanto instituições.
Por sua vez, Sam Fabens foi nomeado chefe de comunicação do Bank Policy Institute, assumindo oficialmente o cargo em 20 de abril. Essa movimentação sinaliza mudanças na condução das relações públicas da entidade, que atua no setor bancário.
Por fim, o BMO formalizou uma parceria com o Google Cloud e o CME Group para desenvolver uma plataforma de caixa tokenizada, operando em uma rede permissionada. A inovação tem como objetivo simplificar a movimentação de ativos institucionais e garantir funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, o que pode transformar práticas tradicionais do mercado financeiro.
