O juiz James Boasberg, do Tribunal Distrital de Columbia, manteve em 25 de março de 2022 a ordem que impede o cumprimento das intimações emitidas contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve. A medida suspendeu a tentativa de exigir que Powell depusesse sobre reformas na sede da instituição e custos atribuídos a esses projetos.
Em 13 de março de 2022, Boasberg já havia determinado que as intimações tinham o intuito de pressionar Powell a reduzir a taxa de juros ou mesmo a renunciar ao cargo. Esse posicionamento reforçou o entendimento de que as exigências da promotora federal Jeanine Pirro, próxima ao ex-presidente Donald Trump, configuravam abuso processual.
As intimações foram enviadas em janeiro de 2022 e buscavam principalmente obter informações sobre supostos custos excessivos nas reformas da sede do Federal Reserve, além de solicitar um depoimento de Powell perante o Congresso sobre o tema. A promotora também pretendia investigar eventuais irregularidades relacionadas ao uso dos recursos.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou com um pedido para reconsiderar a decisão do juiz, mas o recurso foi negado em 25 de março. A negativa mantém a paralisação das investigações criminais contra Powell, evitando que ele seja obrigado a prestar depoimento ou que medidas legais mais severas sejam aplicadas no momento.
Enquanto isso, a controvérsia jurídica abriu caminho para um possível recurso do Departamento de Justiça no Tribunal de Apelações do Circuito de D.C. Essa ação deve prolongar o impasse judicial e pode afetar o andamento de outras questões relacionadas ao Federal Reserve.
Além disso, especialistas e pessoas próximas ao processo indicaram que o recurso apoiado pela liderança do Departamento de Justiça pode atrasar a confirmação de Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para assumir a presidência do Federal Reserve após Powell. A indefinição judicial dificulta avanços nessa nomeação.
Assim sendo, o caso continua em aberto, com a expectativa de novas decisões judiciais nas próximas semanas. Autoridades afirmaram que permanecerão atentas ao cumprimento das ordens enquanto a análise sobre o bloqueio das intimações segue em curso.

