Jeff Schmid, presidente do Federal Reserve (Fed) de Kansas City, alertou em 31 de maio sobre os desafios da inflação diante do aumento dos preços do petróleo causado pela guerra do Irã. Segundo ele, antes do conflito, a inflação estava próxima de 3%, valor acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed, mas o avanço para níveis mais baixos encontra dificuldades.
Schmid destacou que não se deve considerar os preços elevados da energia como um fenômeno passageiro. Ele observou que as tensões no mercado de petróleo elevaram as apostas dos investidores em altas nas taxas de juros para 2026, mas que, nesta semana, os mercados esperam a manutenção dessas taxas estáveis. Além disso, as medidas de expectativas para inflação de médio e longo prazos permanecem constantes, sinalizando um cenário complexo para as decisões da autoridade monetária.
O presidente do Fed de Kansas City evitou apontar quais serão os próximos passos na política monetária, embora tenha reafirmado sua posição contrária a cortes nas taxas em 2023, quando discordou de iniciativas voltadas a estimular o mercado de trabalho por meio do afrouxamento monetário. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, compartilha preocupações semelhantes sobre o impacto dos preços do petróleo sobre a inflação.
Schmid afirmou que, apesar do aumento nos custos da energia, o efeito sobre o crescimento econômico será restrito. Ele também comentou que as restituições maiores de impostos ocorridas no ano anterior podem ajudar a compensar o aumento nos preços dos combustíveis. No entanto, o avanço do preço do petróleo deve elevar tanto o índice geral da inflação quanto os índices básicos, que excluem energia e alimentos.
Essa distinção é relevante porque o Fed considera os núcleos de inflação indicadores mais confiáveis para definir a trajetória da política monetária. Schmid enfatizou que sua análise foca nos riscos inflacionários ao calibrar as ações da autoridade monetária, buscando equilibrar a estabilidade dos preços com o apoio ao emprego máximo. Por outro lado, preocupa-o o comportamento dos consumidores, que podem reduzir gastos em outros setores para ajustar o orçamento diante do gasto maior com gasolina.
Assim sendo, o cenário econômico dos Estados Unidos sofre influência direta das oscilações do petróleo, o que eleva a necessidade de vigilância constante por parte do Federal Reserve. O próximo passo será acompanhar como essas pressões inflacionárias influenciarão as decisões do Fed em manter ou ajustar as taxas de juros nos próximos meses.
