O confronto entre Irã e Israel, iniciado em 28 de fevereiro de 2024, já exerce influência significativa no cenário econômico mundial. Na última semana, o preço do barril de petróleo Brent chegou a 105,32 dólares, um aumento de 43,8% em relação ao valor registrado em 27 de fevereiro do mesmo ano.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano nos dias 17 e 18 de março de 2024. A redução de 0,25 ponto percentual ficou aquém da expectativa inicial de 0,50 ponto, refletindo o impacto do cenário internacional sobre a política monetária.
Além disso, o Banco Central elevou para 3,9% sua projeção de inflação oficial no Relatório de Política Monetária divulgado em março. Paralelamente, o relatório Focus revelou que a mediana das previsões para a inflação de 2024 alcançou 4,17%, superando o indicativo do BC.
Analistas financeiros brasileiros também revisaram para cima a expectativa da taxa Selic no final do ano, que subiu de 12,25% para 12,50% ao ano. Alguns economistas acreditam que o índice poderá chegar a 13% caso a crise no Oriente Médio se prolongue.
Até março de 2024, havia uma defasagem de preços dos combustíveis no Brasil diante do mercado internacional: 61% para o diesel e 43% para a gasolina, conforme dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Para conter a alta, o governo federal zerou o PIS-Cofins sobre o diesel, buscando reduzir os preços internos.
Por outro lado, a Petrobras tem absorvido parte do aumento internacional no custo da gasolina, evitando que esse reajuste seja totalmente repassado ao consumidor final. Mesmo assim, as pressões dos preços globais afetam o custo dos combustíveis no país e impactam a inflação.
Na esfera internacional, o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos interrompeu os planos de cortes nos juros no início de 2024, citando as incertezas geradas pelo conflito global. Enquanto isso, o Banco Central da Austrália elevou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em março, para um intervalo entre 3,85% e 4,10% ao ano.
A decisão australiana foi marcada por divergência interna: cinco membros votaram a favor do aumento, enquanto quatro se posicionaram contra. Essas movimentações refletem a tensão sobre as pressões inflacionárias, especialmente relacionadas ao avanço dos custos energéticos.
O fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota para o escoamento do petróleo, é apontado como um fator que aumenta a pressão sobre os preços globais da energia. No Brasil, essa situação reverbera sobre os combustíveis e também sobre os preços de alimentos, intensificando os desafios inflacionários.
Especialistas no Brasil preveem que a taxa Selic poderá oscilar entre 13% e 13,50% ao ano se o conflito persistir. Nesse contexto, o Copom sinaliza maior cautela, indicando que o ritmo de cortes na taxa Selic possa desacelerar e possivelmente estabilizar nas próximas reuniões.
De modo geral, os economistas ressaltam que o repasse do aumento dos preços internacionais para os combustíveis brasileiros deve pressionar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para além da meta de 4%. Assim sendo, o conflito geopolítico mantém os bancos centrais ao redor do mundo atentos para ajustar suas políticas monetárias e taxas de juros.
A conclusão do processo ainda depende de como o cenário internacional evoluirá e das decisões dos bancos centrais nas próximas semanas, que avaliarão os impactos do conflito no equilíbrio da inflação e na condução da política econômica.
