Banner Portal Invest

Taxa de juros alta eleva dívida das empresas a R$ 2,3 trilhões

Alta da Selic pressiona caixa das empresas e eleva número recorde de recuperações extrajudiciais em 2026.
Taxa de juros alta eleva dívida das empresas a R$ 2,3 trilhões
Compartilhe

Em 2025, um total de 80 empresas brasileiras optaram pela recuperação extrajudicial, número recorde segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). Ao mesmo tempo, a dívida consolidada das 248 maiores companhias saltou de R$ 1,4 trilhão em 2020 para R$ 2,3 trilhões em 2025, conforme dados da consultoria Elos Ayta, refletindo as pressões financeiras no ambiente corporativo.

Por outro lado, o setor de agronegócio enfrentou crescimento expressivo nos pedidos de recuperação judicial, que totalizaram 1.990 em 2025, alta de 56,4% relativamente a 2024. Esse aumento se explica, em parte, pelo impacto da taxa Selic elevada, que até a última semana de abril de 2026 esteve em 14,75%, após redução recente pelo Banco Central, o que dificultou o acesso das empresas a financiamentos mais baratos.

Enquanto isso, a Raízen, uma das maiores empresas do país, protocolou em abril de 2026 um processo extrajudicial para renegociar sua dívida de R$ 65 bilhões, reconhecido como o maior caso dessa modalidade no Brasil. Essa medida reflete a busca por soluções mais ágeis e menos onerosas para reestruturação, segundo Alexandre Temerloglou, CEO da Siegen, que aponta recuperação extrajudicial como alternativa mais eficiente em comparação à recuperação judicial.

Além disso, a carga tributária nacional aumentou de 29,2% para 32,3% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2020 e 2024, segundo dados do Ministério da Fazenda. Em janeiro de 2026, a receita tributária atingiu recorde de R$ 325,7 bilhões, um fator que também contribui para a pressão financeira sobre as empresas brasileiras.

De modo geral, estudos indicam uma defasagem de cerca de 12 meses entre o aumento da taxa Selic e o crescimento nos pedidos de recuperação judicial, segundo levantamento da Siegen. Dessa forma, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ressaltou que novos cortes da Selic dependerão da evolução dos indicadores econômicos e do cenário internacional incerto.

Por fim, a conjuntura financeira aponta para um aumento das dificuldades das empresas em honrar suas obrigações, o que intensificou o uso da recuperação extrajudicial como ferramenta para renegociação. A conclusão do processo ainda depende da evolução da política monetária, além da resposta das companhias ao ambiente fiscal apertado, na expectativa de ajustes futuros para aliviar o endividamento corporativo.

Tópicos
Notícias Relacionadas
Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.