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Mercado de crédito enfrenta piora com alta de juros e aumento da inadimplência

Alta dos juros básicos e piora na inadimplência reduzem concessão de crédito ao setor privado em 2025.
Mercado de crédito enfrenta piora com alta de juros e aumento da inadimplência
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A taxa básica de juros no Brasil, que ficou em 10,50% em setembro de 2024, subiu para 15,0% até junho de 2025, antes de recuar para 14,75% no mesmo mês, permanecendo nesse patamar até o fim do período. Esse movimento impactou diretamente a oferta e a dinâmica do crédito privado ao longo do ano.

Enquanto isso, o crescimento real dos empréstimos novos sofreu uma desaceleração significativa, passando de 15,4% em 2024 para 9,2% em 2025. O volume total do financiamento novo às empresas no país atingiu R$ 4,3 trilhões, representando uma alta de 7,0% em relação a 2024. Nesse cenário, a expansão do crédito bancário para o setor empresarial caiu de 17,6% para 9,5% no intervalo de um ano.

No quarto trimestre de 2025, o ritmo de crescimento do crédito bancário às empresas ficou em 5,5% ante o mesmo período do ano anterior, refletindo a maré mais contida das concessões. O crédito livre, modalidade sem destinação específica, avançou somente 7,3% no ano, muito abaixo do aumento de 18,1% registrado em 2024, enquanto o crédito direcionado, com recursos vinculados a programas específicos, cresceu 9,4% contra 9,0% no ano anterior.

Por outro lado, a participação do crédito direcionado no total destinado às empresas aumentou de 12,7% em 2024 para 34,1% em 2025, mostrando uma maior dependência desse tipo de financiamento. Entretanto, as taxas de juros apresentaram acréscimos expressivos: o crédito livre para empresas subiu de 21,7% ao ano em dezembro de 2024 para 25,2% no início de 2025. Já os juros sobre o crédito direcionado passaram de 7,0% para 7,6% no mesmo intervalo.

De modo geral, o mercado de capitais corporativo também apresentou mudanças importantes. Entre 2015 e 2025, o estoque de títulos privados emitidos pelas empresas avançou de 22,5% para 100,3% do crédito bancário empresarial. Contudo, as emissões de novos títulos caíram 0,75% em 2025 em comparação a 2024, apesar da emissão de certificados de recebíveis mais que triplicar no período.

Assim sendo, as emissões de títulos de dívida direta registraram queda no ano, após um crescimento considerável em 2024. A conclusão do processo ainda depende da análise do impacto desses movimentos no financiamento corporativo para os próximos meses, especialmente considerando as variações nas taxas de juros e na disponibilidade de crédito no mercado.

Fatores que Influenciaram o Financiamento Corporativo em 2025

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) divulgou um estudo que mostra como a alta da taxa Selic em 2025 elevou o custo do crédito para empresas e famílias, contribuindo para o encolhimento do mercado de financiamento. Essa elevação de juros dificultou o acesso a empréstimos, especialmente para pequenas empresas que enfrentaram maior restrição no crédito.

Além disso, o aumento das tarifas comerciais implementadas pelo governo Trump no mesmo período impactou negativamente as expectativas econômicas globais, gerando um cenário menos favorável para os investimentos e a atividade produtiva. Essa conjuntura enfraqueceu a demanda por novos financiamentos no Brasil, refletindo diretamente na menor procura por crédito.

Houve também um crescimento da inadimplência, que se mostrou mais expressivo entre famílias e empresas de menor porte. O endividamento das famílias atingiu níveis historicamente altos, pressionando o consumo e, consequentemente, afetando a dinâmica do crédito pessoal e comercial. Em função disso, a oferta de crédito livre registrou crescimento marginal de apenas 1,0% no último trimestre de 2025.

No cenário corporativo, o crédito direcionado respondeu por uma fatia restrita, representando apenas 8% do total dos financiamentos novos. Especificamente no segmento bancário, essa participação foi de 9,92%. Por outro lado, grandes empresas preferiram buscar recursos no mercado de capitais, a fim de reduzir custos em relação a empréstimos bancários, em um movimento que refletiu a busca por alternativas financeiras mais competitivas.

De modo geral, a combinação de juros elevados, aumento de tarifas comerciais e piora nas condições econômicas internas e externas limitou o crescimento do crédito corporativo em 2025. A desaceleração das concessões, especialmente da linha de crédito livre, demonstra que o ambiente financeiro ficou mais restritivo, afetando a capacidade de investimento e expansão das empresas no país.

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