No fechamento de 11 de março de 2026, os contratos futuros de energia registraram alta superior a 4%, influenciando diretamente o mercado financeiro brasileiro. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,549% para 13,71%, enquanto os contratos para janeiro de 2029 e janeiro de 2031 avançaram para 13,2% e 13,495%, respectivamente.
O aumento nas taxas curtas e médias da curva de juros reflete a volatilidade no preço do petróleo, que sofreu impacto devido aos recentes desdobramentos no Oriente Médio. No mesmo dia, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou uma liberação recorde de barris das reservas estratégicas para tentar conter a alta global. Entre os eventos que pressionam o mercado, destacam-se os ataques realizados por Teerã contra navios no Estreito de Ormuz, além da expectativa de pelo menos mais duas semanas de conflitos envolvendo Israel e Estados Unidos.
Autoridades políticas também se manifestaram sobre o cenário. O presidente Donald Trump afirmou que o conflito no Oriente Médio terminará quando ele decidir, mas membros do governo israelense indicaram que não esperam um fim iminente para as hostilidades. Frente a esse quadro, economistas destacam que os aumentos nos vértices curtos e intermediários da curva incorrem nos efeitos do petróleo sobre a inflação e a política monetária brasileira.
Na mesma sessão, o mercado ajustou as apostas para a política do Banco Central, com a probabilidade de uma redução de 25 pontos-base na Selic caindo de 65% para 55%. Em contrapartida, a chance de corte de 50 pontos-base subiu de 35% para 45%. Dados domésticos, como a alta de 0,4% nas vendas no varejo restrito entre dezembro e janeiro, ficaram em segundo plano diante da preocupação internacional. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve avaliar os impactos do cenário externo na decisão sobre a taxa Selic, prevista para ser anunciada uma semana após 11 de março.

